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E mais da Maratona…

E os dias passaram rápido, as semanas vão voando!
Nem acredito que já se vão três semanas desde que corri a maratona. 😀

Eu queria ter escrito antes, pensei tanto na prova esses dias…
Mas foi justamente porque ela passou que as coisas por aqui também mudaram um pouco (fiquei tantos meses focada na corrida, com toda minha rotina definida por ela, era natural que fosse assim)” Acabei tendo uns dias bem corridos no “pós-evento”, retomando minha rotina, colocando algumas pendências em dia… É o ciclo natural das coisas.

O que eu trago de melhor dessa experiência foi ter vivenciado o movimento de se envolver com algo, estabelecer uma meta, traçar uma estratégia e ser bem-sucedida nela. A minha maratona foi ótima, e certamente ainda vou vibrar muitas e muitas vezes por ela.

Antes de focar com tudo em meus novos projetos, fica aqui um registro com fotos desse momento. Durante a prova os fotógrafos do evento fizeram 108 fotos minhas ao longo de todo percurso. Em 105 delas eu estou sorrindo, e só apareço mais séria na largada, quando de fato eu estava um pouco tensa.
O resto foi só curtição… 😉


A largada, ainda bem frio, com as roupas que eu iria dispensar durante o trajeto. Estava séria…


Ainda no começo, mas já sem as blusas. Em seguida eu deixaria as luvas também. O tempo estava ótimo, com muito sol mas sem calor.


E aí então, fui embalando…


E aproveitando o momento, com esse céu azul que estava mesmo especial.


Nessa hora eu estava chegando já, e o sorriso estava virando choro de alegria…


E então, feito, maratona corrida, 5 horas e 09 minutos correndo bem feliz!


E passando pelo portal, um momento que nunca vou me esquecer.

Uma curiosidade que eu gostaria de registrar, e que não falei em meu outro post sobre a corrida: eu estava com meu ipod, naturalmente com uma seleção de músicas que gosto muito. Eu fiquei pensando antes da prova qual seria a música que iria tocar na chegada. Meu plano era não “roubar”, deixar o universo escolher a faixa aleatoriamente, mas confesso que tinha minhas preferências, e fiquei torcendo por uma ou outra música.

Quando eu passei pelo 32 km, que seria o momento de quebrar a barreira da distância máxima que eu já havia corrido,
estava tocando essa música abaixo, e foi muito bom! Eu realmente me senti muito bem nessa hora!

Eu fiquei, então, torcendo para que essa mesma música voltasse a tocar na hora da minha chegada. Mas a música que começou a tocar foi a que segue abaixo, só que em versão ao vivo. Eu até tentei “roubar” e avançar mais algumas faixas para encontrar a que eu queria, mas acabei encontrando ela de novo, “Viva La Vida”, na versão original.
E pensando bem, se foi essa música escolhida pelo universo, que seja ela! 😀


E a corrida aconteceu, minha primeira Maratona!


Meu número e a medalha

Depois de quase 10 meses pensando nessa corrida, depois de muitas sessões de fisioterapia, tratamentos para os pés, várias sessões de alongamento, exercícios específicos para fortalecimento e pouco mais de cinco meses de treinos com uma planilha muito bem preparada pelo meu treinador, Alexandre Giglioli, da Aglioli Assessoria Esportiva, finalmente consegui correr minha primeira maratona!


Eu e a medalha, logo após a corrida

Dia 11 de junho, domingo passado, corri uma maratona, prova de corrida com 42,195 Km. Foi em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e foi muito bom, um dia para lembrar para sempre!

O tempo estava particularmente agradável: após duas semanas de chuvas constantes, na véspera da prova, quando parou de chover, o tempo estava frio e com muito vento. Porém, no domingo, a temperatura estava por volta de 9 graus, céu limpo e claro, e sem vento.

Quando o sol saiu, o céu ficou azul e ensolarado por toda prova. E até deu para dar uma leve bronzeada, mas sem nada de calor. Ou seja, não poderia ser um dia melhor para correr!

Fui para Porto Alegre na sexta a noite, com o Sérgio. Nosso vôo atrasou, o que já me deixou meio ansiosa.
Bem, na verdade ansiosa eu já estava. Semana passada eu praticamente só pensei na prova e esperei o dia chegar.
Não havia muito mais o que fazer, estava tudo certo, treinos realizados, os acessórios que eu ia usar preparados, a mala pronta, reserva do vôo e hotel… agora era só esperar mais duas noites e então eu finalmente saberia o que é correr uma maratona.

No sábado fomos até o ponto de largada da prova para retirar o kit, que é basicamente a sua inscrição, o número do peito, bolsa, camiseta e o chip – parte mais importante – aquele código que iria registrar minha participação na prova.


Meu número de peito

Assim que a gente retirava nossos kits, nossos nomes apareciam na tela, confirmando nossa participação. Mais uma vez, tudo certo, era só esperar a última noite para o grande dia chegar…


Kit retirado, nome validado

Claro que a noite da véspera seria tensa. Eu já esperava uma certa dificuldade para dormir, mas não contava com um time de futebol que se hospedou em nosso hotel, e com seus integrantes, que passaram a noite falando alto, jogando, gritando… Enfim, foi uma longa e difícil noite em que não dormi praticamente nada.
Paciência. Seria assim mesmo, eu ia dar um jeito, e correr com o que tinha descansado nos dias anteriores.

Chegou a hora, o despertador tocou 4h30, hora de levantar da cama.
Tomei uma ducha rápida “para despertar o corpo”, coloquei minha roupa, que já tinha deixado preparada na véspera, junto com uma bolsa, com minhas roupas para depois da prova; o cinto, com as garrafinhas de água, géis de carboidrato e cápsulas de sal para durante a prova.
Tomei meu café, que foi um shake com whey e carbolift, cápsulas de BCAA, uma banana e duas castanhas do pará com chocolate. Nem mais, nem menos do que estava acostumada a tomar antes das corridas longas. Conselho que todos dão nessa hora: não invente nada novo no dia da prova, faça aquilo que já está acostumada a fazer.

Saímos do hotel umas 5h15, e meia hora depois já estava no local da corrida.


De manhã bem cedinho, ao chegar para a prova.

Ainda na concentração, cerca de 20 minutos antes da prova, tomei um pouco de gatorade e um gel de carboidrato, as últimas “recargas” antes do início da prova. E foi nessa hora, quando estava guardando minhas coisas na tenda da equipe de corrida e me preparando para ir, que recebi uma mensagem em meu celular de minha filha Ana, uma mensagem linda, de apoio e incentivo, que me deixou muito feliz e emocionada.


Eu e a Ana em uma das provas que fizemos juntas.

A Ana é corredora também, e eu tive a alegria de correr com ela várias provas, inclusive suas primeiras provas de 8, 10, 12, 15 e 21 km. Tenho muito orgulho dessa minha filha, e receber uma mensagem dela antes de começar foi uma surpresa maravilhosa.
Obrigada, Ana, querida!

Bem, a hora estava chegando, ainda estava escuro e bem frio, então coloquei os agasalhos que eu iria dispensar durante a prova. Correr por tanto tempo carregando pesos desnecessários é um erro, então levei uma camiseta de manga longa, um casaquinho e um par de luvas velhos para usar no início da prova e dispensar pelo caminho. A organização da corrida iria providenciar a coleta das roupas, que seriam doadas depois.


Pouco antes da prova começar

Esse tempo de espera passou bem rápido, e em pouco tempo nós, corredores, nos dirigimos ao local da largada. Aí a espera é até divertida: aquele mar de gente esperando o relógio marcar início à corrida.
Agora era só fazer o que eu havia me preparado para fazer: correr os 42 km, um passo de cada vez, respeitando os meus limites e buscando ficar tranquila. Mas eu ainda não tinha ideia de como seria corre essa distância, 10 km a mais do que o máximo que eu já havia corrido, 32 km.

Meu medo maior nesses meses de preparo era justamente no dia da prova dar um certo pânico, me apavorar, errar o ritmo, e no fim, não conseguir completar a distância, ou fazer a maratona com muito sofrimento e chegar arrasada ao final. Eu também queria não caminhar por nenhum trecho. Não que seja errado caminhar, não é nenhum demérito, ao contrário. Cada um sabe dos seus limites e tem seu desafio próprio. Mas eu tinha para mim esse desafio: não queria caminhar nada, apenas correr os 42,195 km, mesmo que num ritmo lento.

A estratégia havia sido passada pelo meu treinador: eu deveria dividir a prova em 4 partes: ir mais devagar nos 10km iniciais, encontrar meu ritmo confortável e um pouco mais intenso nos 20 km seguintes e guardar uma sobra de energia para dar uma acelerada, mesmo que leve, nos 10 km finais. Meu ritmo ficaria entre 7′ e 7’40 (minutos por km). E eu consegui exatamente isso: me segurei no início, porque é muito comum a gente ir mais rápido quando ainda não estamos cansados, e faltar no final. Fui administrando o ritmo nessas faixas que havia estabelecido.

Aqui faço um parênteses: entre corredores e treinadores há uma ideia meio generalizada de que existe um “paredão”, um certo bloqueio, que todos corredores encontram mais ou menos na distância de 32 km. Talvez até por isso muitos treinadores escolham justamente essa distância para ser o máximo nos treinos que antecedem a primeira maratona. Eu estava um tanto preocupada com isso, não posso negar.
Como seria passar dos 32 km sem entrar em pânico? Só chegando lá para saber…

Mas comigo aconteceu algo bem diferente.
Meu medo maior durante a prova veio bem antes, foi mais ou menos entre os 17 e 18 km. Quando cheguei nessa marca, me peguei meio desanimada, pensando que já sentia um pouco de dor aqui e ali, e ainda faltava muito para terminar. Me deu medo. Mas aí eu pensei que ainda faltava muito, então o melhor que eu podia fazer era continuar, manter minha estratégia, e seguir. Eu sabia que podia chegar até os 32 km, depois veria como fazer.

E fui correndo, fui ficando mais confiante, segui no meu ritmo, e quando cheguei nos 32 km aconteceu algo inusitado: não só eu não apavorei, como, ao contrário, eu me senti muito bem e muito confiante.
Eu estava bem, eu havia chegado lá, e estava naquele estado que só as corridas longas proporcionam: adorando aquilo tudo, fazendo exatamente o que eu queria fazer, estava feliz.

Então não tive um paredão, nenhum medo, nada. Segui correndo, consegui manter o ritmo, e mesmo dando uma desacelerada a partir dos 35 km, terminei a prova muito bem, e até com uma sobrinha.
Corri minha primeira maratona em 5h09, o que foi uma grata surpresa.


Assim que terminei a prova, eu realmente estava bem…

Mas surpresa mesmo eu fiquei em me sentir tão bem e feliz durante a prova. Eu que achava que iria ser algo muito sofrido, havia encontrado momentos de felicidade verdadeira, mesmo cansada, mesmo com dores. Eu realmente fiquei feliz nessa corrida, e essa foi a melhor surpresa que a maratona me trouxe. 😀

Tenho que agradecer muito ao Sérgio, por me acompanhar nesse tempo todo em que eu me dedico à corrida, por me encorajar, por me fazer sentir mais confiante, e, sobretudo, por estar lá, na chegada, me esperando.
Foi muito bom, Sé, obrigada!.

Tenho que agradecer a ele e aos meus filhos, Ana, Lucas, Rafael e Mariana por me apoiarem e incentivarem, e pela paciência comigo nesses meses em que eu só falava da corrida. Obrigada, queridos!

E quero agradecer de novo ao meu treinador, Alê, sem suas planilhas e treinos especiais eu certamente não teria conseguido. Também agradeço ao André, de sua equipe, pelos dias de treino.
Ao meu médico, Dr. Paulo Kertzman, que além de me ajudar com as dores é também meu terapeuta. Obrigada, Dr. Paulo!
Ao meu fisioterapeuta Marco, que teve muita paciência comigo. Obrigada, Marco!
E às queridas Chris, Tássia, Girlene e Vanessa pelas incontáveis sessões de massagem que fiz com elas, e que muito me ajudaram e ainda ajudarão, muito obrigada. À Chris, especialmente, que vêm me ajudado há tempos a passar pelas fases mais difíceis dos últimos anos. Com suas mãos eu realmente me sinto melhor, Chris, meu muito obrigada!

Bem… eu não poderia deixar de fazer um registro assim, com detalhes, desse momento tão especial para mim.
É algo que pretendo guardar na memória para sempre, e compartilhar isso tudo com vocês certamente vai tornar essa lembrança ainda mais especial.
Agradeço a vocês também, por me acompanharem aqui, vocês são uma motivação e tanto! Muito obrigada. 😀