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“A dor é inevitável. Sofrer é opcional”

Meu pé direito agora é que está com a fasciite complicada, a dor está intensa, e a corrida prejudicada.
A fáscia é a membrana que envolve o músculo, e é ela que se “liga” aos ossos (todos nossos músculos têm essa capa, a fáscia). No meu caso é a fáscia da planta do pé que está inflamada, e, forçando o osso do calcanhar (onde se prende) forma esporões que causam muita dor. Eu tive esse problema no pé esquerdo em 2014 e só agora ele está realmente ficando bom. Ao menos consegui correr a maratona em junho, não posso me queixar.

Na corrida é assim, como muito bem escreveu Haruki Murakami em seu livro “Do que eu falo quando falo de corrida”: A dor é inevitável. Sofrer é opcional.

Dessa vez escolhi que não vou sofrer, então já aceitei minha nova condição, preciso cuidar desse pé. Mas também não vou ficar sem correr totalmente, porque sei o quanto isso me custa.

Meus treinos mudaram, corrida agora só duas vezes por semana, por 7,5 km no máximo, e correndo na grama ou cascalho, nada de asfalto. Muito menos dos que os 50, 60 km por semana de corrida que eu estava fazendo durante meus treinos para a maratona.

Para não ficar sem os treinos aeróbicos, resolvi assumir a bicicleta.
Me presenteei com um modelo de treino, mais adequado que a bike de passeio que eu usava; comprei capacete, luvas, bermuda especial e agora vou pedalar três vezes por semana, treinos mais intensos, ao invés de apenas fazer o treino leve aos sábados, entre as corridas. A cada treino, pelo menos 20 km de pedaladas, é eu objetivo. E em um dos dias da semana farei meu longo, com 30, quem sabe até 40 km.

Não é de todo mal.

Mudar é bom, e, quase sempre, necessário. Nesse caso, inevitável.
O que não consigo mesmo é ficar parada. E vamos lá ver o que os treinos de bike irão me trazer de bom. 😀


E mais da Maratona…

E os dias passaram rápido, as semanas vão voando!
Nem acredito que já se vão três semanas desde que corri a maratona. 😀

Eu queria ter escrito antes, pensei tanto na prova esses dias…
Mas foi justamente porque ela passou que as coisas por aqui também mudaram um pouco (fiquei tantos meses focada na corrida, com toda minha rotina definida por ela, era natural que fosse assim)” Acabei tendo uns dias bem corridos no “pós-evento”, retomando minha rotina, colocando algumas pendências em dia… É o ciclo natural das coisas.

O que eu trago de melhor dessa experiência foi ter vivenciado o movimento de se envolver com algo, estabelecer uma meta, traçar uma estratégia e ser bem-sucedida nela. A minha maratona foi ótima, e certamente ainda vou vibrar muitas e muitas vezes por ela.

Antes de focar com tudo em meus novos projetos, fica aqui um registro com fotos desse momento. Durante a prova os fotógrafos do evento fizeram 108 fotos minhas ao longo de todo percurso. Em 105 delas eu estou sorrindo, e só apareço mais séria na largada, quando de fato eu estava um pouco tensa.
O resto foi só curtição… 😉


A largada, ainda bem frio, com as roupas que eu iria dispensar durante o trajeto. Estava séria…


Ainda no começo, mas já sem as blusas. Em seguida eu deixaria as luvas também. O tempo estava ótimo, com muito sol mas sem calor.


E aí então, fui embalando…


E aproveitando o momento, com esse céu azul que estava mesmo especial.


Nessa hora eu estava chegando já, e o sorriso estava virando choro de alegria…


E então, feito, maratona corrida, 5 horas e 09 minutos correndo bem feliz!


E passando pelo portal, um momento que nunca vou me esquecer.

Uma curiosidade que eu gostaria de registrar, e que não falei em meu outro post sobre a corrida: eu estava com meu ipod, naturalmente com uma seleção de músicas que gosto muito. Eu fiquei pensando antes da prova qual seria a música que iria tocar na chegada. Meu plano era não “roubar”, deixar o universo escolher a faixa aleatoriamente, mas confesso que tinha minhas preferências, e fiquei torcendo por uma ou outra música.

Quando eu passei pelo 32 km, que seria o momento de quebrar a barreira da distância máxima que eu já havia corrido,
estava tocando essa música abaixo, e foi muito bom! Eu realmente me senti muito bem nessa hora!

Eu fiquei, então, torcendo para que essa mesma música voltasse a tocar na hora da minha chegada. Mas a música que começou a tocar foi a que segue abaixo, só que em versão ao vivo. Eu até tentei “roubar” e avançar mais algumas faixas para encontrar a que eu queria, mas acabei encontrando ela de novo, “Viva La Vida”, na versão original.
E pensando bem, se foi essa música escolhida pelo universo, que seja ela! 😀