Conversa de Domingo – O Sagrado Feminino

Olá, amigas do meu blog…
Hoje a conversa de domingo é especial para vocês!

Escrevi esse texto que segue abaixo para o blog do Clube de Artesanato. Como vocês sabem, estou escrevendo e produzindo conteúdo para eles, e entre a cada mês escrevo sobre um tema diferente, algo do universo do artesanato – ou não. Gostei desse texto, e acho que vocês, sobretudo as meninas que me acompanham aqui, poderão gostar também, então aí vai, uma conversinha de domingo de Carnaval preguiçoso para vocês… e bom Carnaval!

Semana passada eu tive uma experiência muito interessante de como o universo feminino pode ser acolhedor. Eu não tenho muita paciência para salões de beleza e por passar o tempo cuidando de cabelos unhas e coisas assim, mas naturalmente freqüento e me cuido. Mas sempre que preciso ir ao salão vou adiando, deixando para depois, evitando. Até que não tem mais jeito, é ir ou ir. E era assim que eu me encontrava após mais de dois meses sem pisar em um salão e depois de passar uma semana na praia, judiando dos cabelos.

Lá fui eu, em plena quarta-feira, no final da manhã, tentando fazer tudo – pintar a raiz, cortar, hidratar, arrumar as unhas – e ainda contando com tempo para voltar ao ateliê, comer alguma coisa e retomar o trabalho o quanto antes. Mas as coisas têm seu ritmo próprio, e não a velocidade da minha ansiedade. Chegando ao salão e vendo a expressão da minha cabeleireira, Miriam, diante dos meus cabelos mais do que judiados, logo vi que a coisa ia longe…

Eu tinha levado até o computador para tentar escrever e trabalhar um pouco enquanto esperava as químicas agirem, mas que bobagem a minha ,como é possível usar um laptop com os braços presos naquele avental de fazer tintura, deitada na cadeira do lavatório e com as mãos sendo trabalhadas pela manicure? Só uma mulher mesmo para achar que realmente dá para fazer tudo ao mesmo tempo… Como não havia outro jeito, fui me acomodando e ficando menos ansiosa. “Aceite, Cristina”, eu pensei. “Essa hora é para cuidar de você, relaxe que uma hora acaba…”. E passei a observar todo o ambiente ao meu redor.

No salão, que é bem pequeno mas muito acolhedor, estávamos em seis mulheres, a cabeleireira, suas duas assistentes, a manicure, outra cliente e eu. Depois de conversar comigo e definir o que seria melhor para meu cabelo – tratá-lo, depois cortar e por fim tingir a raiz, minha cabeleireira saiu para ir à feira, na rua de trás, buscar umas frutas, e me deixou com sua assistente, Daiana, grávida de cinco meses, com sua barriguinha despontando, aquela expressão nova no rosto, já transformada pela maternidade…

A manicure me ajudava a escolher uma cor de esmalte que combinasse com as cores de verão, e me mostrava os tons da moda, quentes e luminosos, os preferidos de sempre, as novidades… No fim escolhi um vermelho-coral que era tudo aquilo junto: novidade, cor da estação e um vermelho, claro. Enquanto isso a outra assistente aplicava uma luzinha azul divertida em meu cabelo ao mesmo tempo que eu recebia uma massagem com um produto especial para restaurar os fios. A sensação era boa, agradável, estava sendo cuidada, realmente comecei a aproveitar aquilo tudo.

Logo chegaram mais mulheres para se juntar a nós, Rita, a sócia do salão, mais uma cliente com sua mãe e uma amiga. Ah, e havia a Pitty também, a cadelinha, que passa o dia todo por lá com sua dona e suas clientes, deitada no sofá, no colo das visitas ou entre seus pés. Todas nós no salão éramos mulheres, cada uma em diferentes momentos da vida, mas todas muito femininas, rodeadas de tudo que faz parte desse universo: mães, avós, filhas, amigas, esposas, namoradas, mulheres, simplesmente.

A Miriam voltou com várias frutas, entre elas dois abacaxis bem cheirosos que ela colocou nos degraus da escada do salão para enfeitar e perfumar ainda mais o sobradinho simpático e jeitoso, cheio de espelhinhos, enfeites e decorações bem femininas. Logo veio também um cheirinho de café fresco, que me ofereceram em seguida, e só então me dei conta que já estávamos no começo da tarde, comecei a sentir um pouco de fome. Bastou eu comentar isso que imediatamente a Rita e sua assistente se mobilizaram, me perguntando se eu queria pedir um lanche, que foi pedido e entregue em seguida, e lá estava eu, comendo um sanduíche e tomando um suco enquanto ainda cuidavam de mim.

Naquele exato momento me dei conta do quão acolhedor pode ser o universo feminino, o sagrado feminino, que nós mulheres sempre transmitimos, mesmo que involuntariamente, afinal, é de nossa natureza . Me senti muito bem no meio daquelas mulheres, fazendo “coisas de meninas”. Me senti acolhida e me enchi de uma alegria boba, sem razão de ser, daquelas que realmente valem a pena sentir…

Por fim terminei tudo e voltei para o ateliê, mas já não me preocupava mais com o tempo. Eu tinha passado por uma experiência tão agradável, que o dia já estava ganho. E de quebra meu cabelo parecia outro, nada mais de fios brancos aparecendo, pontas triplas nem aquele ressecado feio.

Tirei algumas lições daquela tarde, algumas práticas e uma espiritual.

A espiritual é que o feminino carrega mesmo algo de sagrado, esse nosso dom de cuidarmos, de acolhermos, é fundamental para que o mundo não se perca na dureza das coisas do cotidiano, que vão nos envolvendo numa espiral sem fim.

E as práticas são dicas para cuidarmos melhor dos nossos cabelos, que posso afirmar a vocês, funcionam mesmo.
São elas:

– Ao lavar, coloque uma pequena quantidade de xampu na palma da mão, leve ao couro cabeludo e friccione com as pontas dos dedos, até fazer espuma, mas sem esfregar os fios uns contra os outros, principalmente se você tiver cabelos médios e compridos. Esfregar cabelo no couro cabeludo, como normalmente fazemos, estraga os fios com o atrito.

– Usar condicionador apenas no comprimento, em pequenas quantidades e enxaguando com água fria no final. A gente sabe disso, parece até bobagem repetir. Mas quando você coloca em prática esses hábito, a mudança é mais do que visíviel. Pouco condicionador é suficiente para a função que ele tem – aplicado nos fios, deixá-los mais maleáveis. E enxaguar os cabelos com água fria deixa os fios mais brilhantes porque a água fria fecha as cutículas dos cabelos.

– Secar o cabelo com a toalha tirando o excesso de água apertando a toalha nos fios, mas nunca enrolar os cabelos na toalha, esse procedimento também quebra os fios. Eu enrolava os cabelos na toalha e formava um tipo de turbante – assim o cabelo ia secando enquanto eu terminava de me arrumar, tudo para ganhar tempo. Mas enrolando os cabelos você quebra os fios também, e se você deixa par secá-los apenas encostando a toalha, o atrito é bem menor.

– Quem tem cabelos finos (como os meus) não deve usar escova de jeito nenhum. Pentes de dentes largos, de preferência de madeira, são os mais indicados. E depois deixe-os secar ao natural. Os fios se acomodam e o cabelo termina com muito mais movimento e brilho.

Experimentem e vocês irão ver a diferença, assim como eu vi! Meu cabelo, em apenas duas semanas, é outro!

E se vocês ficaram curiosas (e moram na cidade de São Paulo), o salão que eu frequento chama-se, não à toa, Sagrada Beleza.

Cristina Bottallo

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