Corrida, ela de novo.

Eu adoro correr.
E gosto muito de escrever também, por isso mantenho esse blog.
Escrever sobre corrida é algo que me dá vontade de fazer sempre.

Passo

No meu treino de hoje eu praticamente “escrevi” um texto inteiro sobre corrida.
Vamos ver agora se eu consigo passar para cá agora.

Faz mais de quinze anos que eu corro pelo menos 4 ou 5 dias por semana e que faço alguma atividade física todos os dias. Todos, sem exceção: pode ser feriado, férias, pode chover, fazer frio ou um calorão, posso estar em minha cidade ou viajando, em qualquer lugar. Não importa: todos os dias eu pratico alguma atividade física. Hoje, além da corrida eu pratico musculação, yoga e bicicleta (de vez em quando).

Não comecei de uma hora para outra, é verdade.
Eu já fazia algum tipo de exercício desde os meus 24 anos (já vão aí uns 23 anos), mas como meus filhos eram pequenos, no início eu fazia muito menos, apenas o que dava: duas vezes por semana de hidroginástica, depois natação, ginástica (o que era possível), perto de casa e dentro dos horários livres, que realmente não eram muitos.

Quando eu cheguei aos 30, 31 anos, senti uma vontade enorme de mudar algumas coisas.
Eu precisava de mais. Sem nenhum motivo aparente ou sem que ninguém tivesse me falado nada, pensei muito que eu precisava praticar yoga. Juro a vocês que naquele tempo eu nem sabia como era… apenas me deu uma vontade de olhar mais para mim, de me cuidar, de mudar meu ritmo. Comecei e não parei mais.

Dos meus 20 aos meus 30 anos eu tinha criado 3 filhos e meu ateliê, cuidado da casa e do meu casamento. Acho que sentia falta, naquele momento, de fazer algo para mim.

Também nquela época o parque onde eu praticava ginástica passou por uma reforma e as aulas foram suspensas. Sem opção, passei a fazer caminhadas.
Havia uns poucos corredores por lá naqueles tempos, e um deles, o senhor mais velho de todos, que tinha uns 75/78 anos, me via andar e falava: “Você precisa correr, menina.”.
Eu achava o maior dos absurdos.

Correr para quê? Por quê? Achava sem sentido, bobo, chato.
Mas ele falou tanto, e ele corria tanto, e tão bem, que fiquei curiosa.
Além disso, caminhar de fato estava parecendo pouco satisfatório naquele momento.
Então eu comecei a correr.

No primeiro dia eu fiz o seguinte treino: 1 minuto de corrida alternado com 5 minutos de caminhada. O 1 minuto de corrida parecia não acabar nunca, e eu terminei ofegante, como se não fosse aguentar. Depois, muito gradativamente, eu fui aumentando o tempo de corrida, de 1 para 2 minutos, de 2 para 3 e sempre intercalando com caminhadas. Fui aumentando a corrida, até correr por 5 minutos, e caminhar outros 5. Depois passei a diminuir o tempo de caminhada.

Eu treinava 3, 4 vezes por semana naquela época. Alguns dias eu só caminhava também, mas me lembro bem como vibrei quando consegui correr por 30 minutos sem parar, depois por 45 minutos.
Eu levei 10 meses para correr por uma hora inteira. Como falei, não foi de uma hora para outra…

Conto isso a vocês porque vejo muitas pessoas pensando em começar a correr, e muitas desistindo porque acharam difícil.
É difícil mesmo.

Pode até ser que alguém muito jovem, muito condicionado, e que venha da prática de outras atividades físicas consiga correr por 1 hora sem parar em apenas um mês, ou menos tempo ainda.
Mas essa não é a regra. É difícil correr, e leva um tempo para você se condicionar.
Eu não me considerava sedentária, mas o esforço que a corrida demanda é muito maior do que o que imaginava, e muito mais do que eu fazia.

Nesses anos todos eu sempre preferi correr em algum parque.
Hoje eu corro no Ibirapuera, aqui em São Paulo, e esse é um dos meus lugares preferidos na cidade (é ele nas fotos abaixo).

Ibira 3

Adoro estar ao ar livre, isso é quase uma necessidade para mim.
Adoro ver o dia nascer, ir clareando. Gosto das mudanças: um dia mais ensolarado, outro mais nublado, as cores variam, embora a paisagem seja a mesma, os sons variam. As árvores também mudam, e ao mesmo tempo tudo é tão familiar quando você vai sempre ao mesmo lugar.
Me sinto no lugar certo quando estou lá.

Ibira 2

Voltando à corrida.
Correr é difícil, demanda esforço, todos os dias.
Sempre é duro. Uns dias menos, outros mais, é verdade.
Mas esse esforço compensa, sempre. Quando você corre bem, é super. Você transcende. Seu coração bate feliz, naquele ritmo acelerado, como se estivesse dizendo “Ah, muito obrigado, que bom que você me trouxe aqui, para correr. Me sinto muito bem. Obrigado!”

A corrida também traz dor. Não uma dor que te paralisa, não esse tipo de dor.
É uma dor de sentir o corpo, de tomar consciência de cada músculo, por isso é verdade quando dizem que o corredor é uma pessoa que se acostuma com a dor, é realmente verdade. Eu sinto dor, sempre. E aposto que é assim para todos que correm. Por isso quando você começar a correr e doer, não pense que é só com você. Acredite, estamos juntos.

Essa dor da corrida é para não sentirmos outras dores piores.
Porque o corpo dói também quando não nos movimentamos. As costas doem. Sentar dói. Ficar em pé dói. Subir escadas dói. Se você corre, você não tem tantas dores “do dia a dia”. Seu corpo está mais preparado para essas situações. E compensa, suportando tudo melhor.

Ibira

Longe de mim a pretensão de querer dizer o que certo e o que é errado, ou dar uma lição de vida para quem quer que seja. Longe de mim achar que sei de todas as verdades, ou de qualquer uma que seja.
Não pensei em nada disso quando quis escrever sobre corrida.

É que a corrida faz parte da minha vida de um modo muito especial, e se você está pensando em correr, bem, eu digo a você, faça isso mesmo. Não desista, porque é difícil mesmo. Mas vai ficando mais fácil, cada vez mais fácil, e depois vira algo que simplesmente faz parte da sua vida. Não pode mais deixar de ser. É assim para mim.

Corro, e me sinto feliz.
Corri hoje? O dia já valeu.
Vou correr amanhã? Hoje é um bom dia, então, amanhã tem corrida!
É isso que você vai sentir.

E tem mais: você vai dormir melhor, você vai ter mais disposição, você vai emagrecer, você vai caber melhor dentro de você mesmo (a).

Sobre a falta de tempo para correr, digo o seguinte: todos nós temos 24 horas a cada dia, as mesmas 24 horas. O que muda é o que você vai fazer com elas.

Correr é prioridade para mim, por isso acordo mais cedo só para correr antes dos meus primeiros compromissos. Mas pode ser que você prefira correr mais tarde, no fim do dia, depois de fazer tudo que tem para fazer. Ou ainda no meio do dia, quando tem um tempo livre.
Você é quem vai determinar quando, mas se for prioridade para você, a corrida sempre vai ter seu espaço.

Então pense, o tempo não é um impedimento. Passe uma hora a menos assistindo TV. Deixe de usar a internet por uma hora. Acorde mais cedo. Durma mais cedo.
Mas não diga que você não tem tempo.
Você tem todo o seu tempo, e você decide o que fazer com ele.

Eu adoro correr.
Eu gosto de escrever sobre isso.
E eu espero que você encontre na corrida a mesma satisfação que eu encontrei.
Isso muda as nossas vidas, acredite.


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